O Fórum e-commerce Brasil, o maior evento sobre comércio digital da América Latina, aconteceu em São Paulo nos dias 28, 29 e 30 de julho e trouxe discussões sobre as tendências que devem marcar o futuro do varejo online no país.
Os holofotes ficaram por conta de temas imperdíveis, como o fenômeno da mudança de compra impulsionada pelo TikTok Shop, os desafios práticos da Reforma Tributária e as estratégias dos gigantes do mercado para acelerar a digitalização dos negócios.
A seguir, apresentamos os principais insights da cobertura do evento e os pontos mais importantes sobre as palestras. Confira!
TikTok Shop: transformando a jornada de descoberta em compra
“A descoberta caminha lado a lado com a conversão, porque o conteúdo se tornou infraestrutura de vendas.”
Segundo o Statista, o TikTok tem quase 2 bilhões de usuários mundialmente e tem cerca de 16 mil vídeos publicados por minuto. Nesse meio, existe a divulgação de produtos, o que, de acordo com o Fórum e-commerce Brasil, ativou um comportamento que já existia nas pessoas.
Na prática, a rede social transformou a jornada de descoberta, quando um possível cliente está avaliando as possibilidades, em um processo ativo de compra, criando um loop infinito de:
- Descobrir um novo produto em uma live;
- Considerar a compra;
- Comprar o item;
- Compartilhar a transação e/ou a opinião sobre o produto;
- Repetir o ciclo repetitivamente.
As marcas mais atentas já perceberam esse movimento e estão em um processo ativo para consolidar e escalar essa jornada por meio do TikTok Shop, a loja oficial do aplicativo que divulga milhares de lives diariamente, com os mais variados produtos.
E os números sustentam essa oportunidade. Afinal, a plataforma tem média diária de 1h20 diária por usuário e entrega não só audiência, mas alta credibilidade. Prova disso é que 58% dos usuários confiam nos creators e 65% compram por indicação direta.
Agilidade como exigência do canal
O TikTok exige rapidez, mas devolve os resultados na mesma velocidade. Para quem acerta o tom, a resposta é quase imediata. Não à toa, marcas com estratégias alinhadas de conteúdo e vendas chegam a triplicar seu GMV (volume bruto de mercadorias) em apenas três meses na plataforma.
Live commerce
O grande trunfo do TikTok Shop é transformar a compra em uma experiência interativa, indo muito além da simples transação comercial. Assim, o live commerce caiu de vez no gosto dos brasileiros, e os números impressionam:
- 100 vezes mais vendas: a média diária do GMV gerado por lives saltou quase 100 vezes entre maio de 2025 e março de 2026;
- Explosão de transmissões: o volume diário de lives cresceu 20 vezes no mesmo período.
Como usar o canal para vender mais
Para transformar visualizações em faturamento real, a estratégia precisa ir além do óbvio. O ponto de partida é manter uma rotina consistente de transmissões ao vivo. Afinal, 6 em cada 10 pessoas assistem a lives diariamente, e 4 em cada 5 se sentem mais inclinadas a comprar após acompanhar uma transmissão (formato que alcança uma taxa de conversão média de 20%)
Também é essencial investir na conexão com o público por meio de um conteúdo leve e divertido. Isso porque transmissões envolventes geram identificação imediata e despertam o senso de urgência para fechar vendas no calor do momento.
Para potencializar os resultados, o ideal é construir uma estratégia integrada que alie criadores de conteúdo, campanhas de marketing e uma operação logística redonda, principalmente em períodos de alta demanda como lançamentos e datas comemorativas.
Toda essa eficiência em vendas exige um backoffice preparado para a demanda. É aqui que entra o Bling: com integração com o TikTok Shop. A plataforma simplifica a gestão ao unificar a sincronização de estoque e o processamento de pedidos em um só lugar.
Contudo, a estratégia multicanal não para por aí, uma vez que o TikTok Shop não é o único canal que os varejistas têm a seu dispor para vender online. Além desse ecossistema, os grandes marketplaces continuam sendo essenciais para quem quer escalar operações digitais com mais praticidade.
Gigantes do varejo: o presente e o futuro dos marketplaces no Brasil
Cerca de 75% de todo o faturamento do e-commerce nacional vem de vendas realizadas nos marketplaces e 45% a mais de pedidos por esses canais. Esses resultados mostram que gigantes como Amazon, Shopee, Casas Bahia, Mercado Livre e Magalu são ferramentas que ajudam a escalar as operações dos vendedores.
Mas performar no topo exige uma estratégia completa. Isso porque o alto volume de vendas nesses gigantes é fruto da união entre uma operação logística sem gargalos, ações de live commerce, campanhas agressivas em datas comemorativas e a força dos programas de afiliados, garantindo que o produto chegue rápido ao cliente final.
Como resumiu uma representante durante o painel, citando o fundador da Amazon, Jeff Bezos: “O que não vai mudar?” — a pergunta que, segundo ele, deveria guiar toda estratégia de varejo, já que a resposta (entrega rápida, preço baixo e boa experiência) é o que sustenta o crescimento no longo prazo, independentemente das mudanças de canal ou tecnologia.
Outro ponto levantado pelos representantes dos marketplaces presentes no Fórum e-commerce Brasil foram os cuidados que os vendedores precisam tomar com as operações em datas especiais em um marketplace.
O principal é se preparar para lidar com o aumento de vendas causado por ações das plataformas, como promoções sazonais e datas duplas. Aqui, vale a pena contar com sistemas como o Bling, que tem integração com todos os principais marketplaces, para facilitar o controle de vendas.
Além disso, os lojistas devem posicionar as marcas, oferecendo um diferencial aos seus clientes, a fim de incentivar a recompra e ainda se atentar à reforma tributária.
Isso porque as mudanças no regime tributário, que passam a valer em janeiro de 2027, devem impactar todos os negócios. Do lado das plataformas, a expectativa é que os canais se tornem ainda mais exigentes em relação à conformidade regulatória.
Reforma Tributária 2027: desafios, oportunidades e roadmaps críticos
Lucas Ribeiro, CEO da ROIT, destacou que, a partir de 1º de janeiro de 2027, entre 4 e 5 milhões de empresas serão impactadas pela reforma tributária e que todos os processos vinculados às operações fiscais serão afetados, vai reduzir a sonegação fiscal, mas vai aumentar a necessidade de capital de giro para as empresas.
Isso porque os negócios precisam ficar mais atentos à conformidade regulatória, o que implica ter mais dinheiro em caixa para movimentar e arcar com os tributos devidos.
Porém, Ribeiro explica que quem se preparar desde já vai pagar menos, principalmente porque a reforma simplificará o sistema. Entretanto, os efeitos positivos ainda demorarão mais a aparecer, devendo ser sentidos apenas em 2033.
No início, durante o processo de adaptação, é provável que ocorram erros que podem comprometer as operações e até gerar prejuízos para as empresas que não estejam preparadas para lidar com os novos processos implementados com a reforma.
É importante destacar também que a reforma vai afetar não apenas a precificação dos produtos, mas também a negociação com fornecedores, não apenas de insumos, mas também de serviços, como de marketing.
A relação entre lojistas e fornecedores deve mudar
Com a reforma, a dinâmica de responsabilidade pelo recolhimento dos tributos passa a ser negociada diretamente entre os parceiros de negócios, e não mais imposta de forma rígida pelo Fisco. Essa mudança exige uma aproximação estratégica muito maior entre lojistas e fornecedores.
Na prática,, se você decidir pagar os impostos de forma antecipada, confiando no fornecedor, e ele não arcar com sua parte, a empresa não recebe o crédito tributário e, consequentemente, paga mais no final das operações.
Por esse motivo, é essencial ter uma estratégia de pagamento transparente e negociada com antecedência.
A ideia é limpar os resíduos tributários, encargos que repercutem no valor, mas não geram créditos tributários para as empresas, e estabelecer as obrigações de cada um, a fim de criar uma estratégia benéfica para todos os envolvidos.
Crédito financeiro e o que muda
Com a reforma, o fornecedor emite a nota fiscal, destaca os encargos que incidem sobre determinado item e faz o pagamento dos tributos. O adquirente, o lojista, recebe um crédito financeiro em relação a esses encargos que já foram pagos.
Neste cenário, Ribeiro destaca que existem quatro possibilidades de ação:
- O fornecedor financia o crédito “sem querer”, o que aumenta os riscos para quem vende, já que, se ele não pagar, quem arca com os custos é quem compra;
- O adquirente paga o tributo na data de vencimento, o que, segundo o palestrante, é a melhor opção para evitar prejuízos;
- O adquirente paga os tributos e depende do fornecedor fazer o recolhimento;
- O adquirente paga o tributo no momento da compra, o que garante mais segurança de recebimento dos créditos, mas demanda um capital de giro alto, já que é necessário ter dinheiro em caixa para arcar com o pagamento sem comprometer as demais operações, como o pagamento das despesas fixas.
Em todo caso, há uma série de desafios que as empresas precisam superar para ter um período de adaptação às mudanças com menos erros e colher os benefícios da reforma, como a simplificação dos processos e a redução dos valores pagos, mais rapidamente, e a tecnologia pode ajudar.
Desafios que as empresas precisam superar
Os principais desafios para os lojistas com a reforma tributária são:
- negociar os preços nas compras com os fornecedores para garantir um valor justo pelos insumos, considerando a incidência dos novos tributos e os valores residuais;
- definir quem deve pagar os encargos, além de quando e como o pagamento será feito;
- determinar quem, em caso de atrasos e/ou não pagamento, assume as penalidades aplicadas pelo fisco;
- melhorar o capital de giro para garantir o pagamento antecipado dos tributos e, assim, assegurar o recebimento do crédito;
- integrar todos os times relacionados às operações financeiras, como jurídico, compras, comercial, financeiro e tributário, para manter o alinhamento das tarefas e reduzir os riscos de erros;
- parametrizar as novas regras no ERP para assegurar o cálculo e registro correto dos tributos.
Esses desafios devem ser analisados e superados até o final de 2026. Neste cenário, vale a pena contar com sistemas que entreguem atualizações em tempo real e ainda integrem suas operações com recursos de inteligência artificial, como o Bling.
Isso porque a tecnologia pode ajudar a executar as demandas repetitivas, como o cálculo dos resíduos tributários, durante as negociações, deixando os processos mais transparentes e previsíveis.
O Bling já está se adaptando à reforma tributária, para garantir que os usuários comecem 2027 com suas operações alinhadas e em conformidade com o fisco para minimizar os riscos.
Liderar na era da IA: o que nenhuma tecnologia pode substituir
Como liderar em um mercado transformado pela inteligência artificial? Na palestra de Joel Jota e Alejandro Vázquez, a resposta foi categórica: a tecnologia otimiza processos, mas a visão de negócio continua essencialmente humana.
Isso porque o líder moderno atua em três frentes principais. Na construção de demandas cotidianas, a IA atua com velocidade máxima. Na etapa de decisão, fornece dados valiosos para apoiar a escolha final. Mas é na capacidade de convencer (seja em uma mesa de negociação, no alinhamento cultural ou na expansão da marca ) que o fator humano se mostra insubstituível.
Enquanto a inteligência artificial executa o como, a liderança estabelece o porquê da jornada. Para dar sustentação a essa visão, o Bling assume o papel de inteligência operacional para o varejo.
Com o Bling, você processa um alto volume de vendas, sincroniza o estoque, automatiza rotinas para mais eficiência e ainda controla as finanças para menos erros fiscais, principalmente com a reforma tributária.
Além disso, com o Meu Negócio você acessa dashboards inteligentes que simplificam a apresentação dos dados de desempenho do negócio, como volume de vendas, faturamento e estoque para tomar decisões mais estratégicas para fazer o seu negócio crescer.
O comércio agêntico já está batendo à porta
Um alerta que atravessou várias palestras do Fórum e-commerce Brasil, mesmo sem ser o tema central de nenhuma delas, foi a chegada do comércio agêntico: agentes de IA que pesquisam, comparam e até finalizam compras em nome do consumidor, com pouca ou nenhuma intervenção humana.
Diferente do consumidor humano, guiado por marca e impulso, esse comprador automatizado prioriza preço, frete e prazo, com tolerância de resposta medida em milissegundos — quem o algoritmo não conseguir “enxergar” simplesmente perde a venda antes dela existir.
Esse cenário reforça algo que apareceu em praticamente todas as discussões do evento: estoque atualizado, dados integrados e processos bem estruturados deixam de ser só eficiência interna e passam a ser pré-requisito para competir.
Empresas com uma gestão centralizada, como o Bling, já saem em vantagem competitiva, uma vez que mantêm estoque, vendas e dados organizados em um único lugar — prontos para alimentar tanto o consumidor humano quanto o agêntico.
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