A prestação de serviços é a principal atividade da maior parte das empresas do país, e como tal, tem suas próprias dificuldades, desafios e oportunidades.

Diferente de um negócio varejista, que entrega um produto final ao cliente, o setor de serviços entrega soluções e experiências ao consumidor, o que permite diferenciá-lo da concorrência e conquistar o seu público.

Pensando em explicar as características desse setor, como ele funciona, principais desafios e outros pontos essenciais, nós preparamos este material, um guia completo sobre a prestação de serviços.

Ao final, você vai ficar por dentro do assunto e se inteirar de como formalizar seu negócio nesse segmento. Aproveite o conteúdo!

O que é prestação de serviço?

A prestação de serviço se define como qualquer atividade econômica que supre as demandas do mercado sem abranger uma mercadoria. 

O próprio termo serviço significa servir uma demanda humana através de atividade em específico.

O serviço também pode ser entendido como um bem produzido e consumido simultaneamente, sem que o cliente tenha posse do mesmo. 

Ao invés de pagar pelo poder de propriedade, o consumidor de serviços paga pelo trabalho, experiência ou disponibilização de vantagens ofertadas pelo prestador.

Quais as características da prestação de serviços?

A prestação de serviços envolve a diferença de cinco conceitos, próprios do serviço. São eles:

  • Intangibilidade: o serviço não possui teor físico, não tem aparência, é abstrato (não pode ser tocado), sentido ou cheirado;
  • Heterogeneidade: dois serviços parecidos nunca são do mesmo jeito ou idênticos;
  • Inseparabilidade: a produção e consumo do serviço acontecem parcialmente ou totalmente ao mesmo tempo;
  • Perecibilidade: um serviço é um elemento que não pode ser guardado/armazenado;

Ausência de propriedade: os compradores de um serviço, quando o compram, têm o direito à prestação e uso, ao acesso ou arrendamento do bem adquirido, porém não podem ter acesso à propriedade/posse.

Diferenciando a prestação de serviços da venda de produtos

A prestação de serviços e a venda de produtos são duas coisas diferentes. Enquanto a prestação de serviços é algo intangível, o produto é um bem tangível

Funciona assim: o serviço é um bem intangível porque ele não tem o formato de uma mercadoria física, e ao mesmo tempo que é produzido, também é consumido.

Já a venda de produtos trabalha com bens tangíveis, uma vez que os produtos são peças materiais, produzidas para transmissão da posse ao comprador.

Assim, temos como exemplo um ônibus e um carro, que são bens tangíveis, ao mesmo tempo que a passagem do ônibus e a corrida do táxi ou do motorista de aplicativo são serviços.

Quais são os tipos de serviço?

Existem uma imensa categoria de serviços e atividades profissionais, dentre as quais destacamos:

  • Alimentação;
  • Limpeza;
  • Jardinagem;
  • Transportes aéreos, fluviais e terrestres;
  • Aluguel de equipamentos, veículos, ferramentas, máquinas etc;
  • Venda de cursos e treinamentos;
  • Corte de cabelo, maquiagem, serviços de beleza no geral;
  • Serviços de diversão e lazer;
  • Manutenção e reparação;
  • Segurança privada;
  • Banho e tosa de cães;
  • Academia;
  • Cinema;
  • Serviço de telecomunicações;
  • Serviço de streaming/assinaturas;
  • Dentre muitos outros.

Qual o cenário da prestação de serviços no Brasil?

Provavelmente você já ouviu dizer que o setor de serviços é um dos grandes componentes da economia, sendo também um enorme gerador de empregos no Brasil.

Pois bem, a prestação de serviços representa uma fatia de 70% dos empreendimentos do país

Além disso, contribui com cerca de 30% do PIB (Produto Interno Bruto), conforme dados do IBGE, divulgados pela Agência Brasil em 2020.

No ano de 2019, por exemplo, o segmento também liderou a geração de ocupações, ocupando o número de 382 mil vagas com carteira assinada

No mesmo ano, o setor de comércio veio em segundo lugar, com 145 mil vagas e em terceiro, a construção civil, com 71 mil. Os dados são da Agência Brasil, publicados pela Revista Veja em 2020.

Além disso, segundo dados de maio de 2020 do Data Sebrae, divulgados pelo Painel de Empresas, 8,64 milhões de CNPJs ativos no país eram do setor de serviços.

Em contramão, existem 6, 61 milhões de empresas de comércio, 1,36 milhão da construção civil, 697 mil do ramo agropecuário e 1,90 milhão do ramo industrial (as fábricas).

Sendo assim, o segmento de serviços representa um total de 44,9% de todos os negócios ativos do Brasil, estando na liderança no número de empresas quando comparado aos outros setores da economia.

Ademais, quase 90% dos negócios assistidos pelo Sebrae são de Micro ou Pequeno Porte, ou seja, são MEIs, Empresas de Pequeno Porte ou Microempresas.

Portanto, podemos entender que as pequenas empresas prestadoras de serviços estão na linha de frente do setor econômico do país.

Qual a diferença entre contrato de prestação de serviços e contrato de empreitada?

Quando falamos do contrato de prestação de serviços, muitos profissionais confundem esse documento com o contrato de empreitada.

Isso acaba gerando dúvidas e até erros na elaboração, por isso é importante saber o que diferencia cada um deles.

A primeira diferença está no objeto, ou seja, na finalidade. A prestação tem como foco um determinado serviço, em uma prestação regular de um trabalho (meio), mas não precisamente interessada em atingir um objetivo específico.

Já a empreitada se encarrega da finalização de uma obra, isto é, há uma obrigação de entregar um resultado.

A segunda diferença está na remuneração. Isso porque, se o pagamento do prestador é feito baseado no serviço prestado e no tempo necessário para realizá-lo, o pagamento da empreitada ocorre se baseia no no resultado em si.

Por último, existe também uma ligação de dependência da prestação de serviços com o acompanhamento da contratante, algo que não acontece no modelo de empreitada.

Para ficar mais claro os pontos mencionados acima, preparamos esta tabela para você entender melhor as diferenças entre contrato de prestação de serviços e contrato de empreitada:

DescriçãoContrato de empreitadaContrato de prestação de serviço
ObjetoObraAtividade do prestador
DependênciaNão existe uma relação de dependênciaHá o acompanhamento da contratante
RemuneraçãoProporcional ao trabalho efetuadoBaseia-se no tempo trabalhado
DeveresRelativo ao resultadoRelativo ao meio
Ricos na responsabilidadeDo empreiteiroDa contratante

Principais desafios da prestação de serviços

Por terem tantas peculiaridades, as empresas de prestação de serviços enfrentam alguns desafios para conquistarem seu espaço no mercado. Saiba agora as principais dificuldades do segmento:

Receita com maior variabilidade

A variação de receitas é um dos primeiros desafios referentes ao controle de finanças de um negócio de serviços.

Afinal, nesse tipo de empresa o faturamento é variado, com uma frequência de demanda diversificada, diferente da venda de serviços, que costuma ter um rendimento mensal médio.

O serviço de consultoria empresarial, por exemplo, pode ter uma demanda mais pontual, onde o trabalho é procurado em situações eventuais, como abertura de negócios, desenvolvimento de estratégias etc.

Já o serviço de transporte, por outro lado, pode ter uma cartela de clientes mais fixa, facilitando a previsão de faturamento. O mesmo acontece com um escritório de contabilidade, que geralmente tem uma clientela de clientes fixos todo mês, já que muitos procuram por soluções como análise financeira, regularização fiscal, geração de nota fiscal MEI, etc.

Dificuldade em precificar o trabalho

A grande maioria dos prestadores de serviço têm dificuldade em relação ao preço de seu trabalho.

Esse problema acontece porque, na prática, é muito mais complexo estabelecer quanto vale um serviço do que determinar o valor de um produto. 

Em suma, os bens intangíveis (serviços) são mais difíceis de serem precificados, dado que variam conforme a disposição de materiais e recursos humanos.

Além do mais, um produto pode ser qualificado por métricas de massa, volume ou tamanho, e isso ajuda na formação do preço.

Já no caso do serviço, ele requer unidades de tempo, como mensalidades, tempo empregado na atividade ofertada, entre outros detalhes.

Por fim, os serviços podem ser semelhantes, mas cada prestador os oferece de um jeito único, sem padronização. 

Assim, uns cobram um valor X e outros um preço Y, de acordo com o esforço e desempenho utilizado.

Custo com pessoal

A qualidade dos serviços depende do desempenho e produtividade dos colaboradores.

Assim, o gestor precisa ficar atento a indicadores de performance, os fatores que podem gerar altos custos para as empresas desse ramo.

Problemas na previsão de demanda

Normalmente, um negócio de serviços tem um estoque menor para gerenciar, porém isso não quer dizer que a previsão de demanda deve ser deixada de lado.

Pelo contrário: aqui, o cuidado precisa ser redobrado, portanto, o empresário do setor necessita investir em estimativas de vendas e estar sempre antenado nas necessidades dos clientes.

Como posso formalizar o meu negócio de prestação de serviços?

O primeiro passo é decidir qual o tipo de serviço oferecido (os CNAEs), depois partir para o porte (Microempresa, EPP, MEI), regime de tributação e natureza jurídica (negócio individual ou societário).

O ideal é contar com um profissional contábil, pelo menos na abertura, com o objetivo de facilitar a reunião de documentos e o registro legal do CNPJ.

Riscos da prestação de serviço informal

Via de regra, manter a prestação de serviço na informalidade traz uma série de desvantagens para o trabalhador.

Perda de direitos previdenciários, risco de irregularidade fiscal e dificuldade de fechar parcerias são apenas alguns exemplos.

O que é contrato de prestação de serviços?

O contrato de prestação de serviços é um utensílio fundamental para formalizar os deveres que uma empresa possui em relação ao consumidor, bem como serve para definir obrigações e direitos dos contratantes.

Além disso, esse documento garante que o valor do serviço seja pago à empresa prestadora e o cliente receba realmente aquilo que foi comprado.

Quem pode fazer um contrato de prestação de serviços: pessoa física ou pessoa jurídica?

O contrato deve ser feito pelos profissionais do Departamento Pessoal da empresa contratante, de forma que o documento seja elaborado sem erros.

O que deve constar em um contrato de prestação de serviços?

Conforme a Lei 13.429, seu art. 5º, o contrato de prestação de serviço deve conter:

I – qualificação das partes;

II – especificação do serviço a ser prestado;

III – prazo para a realização do serviço, quando for o caso;

IV – valor.

Empresa de serviços x Prestador de Serviços Autônomo

Embora trabalhem com a mesma finalidade, os dois possuem diferenças. 

A empresa de serviços é toda pessoa jurídica especialista na oferta de determinados modelos de serviços. 

Essa organização contrata, paga salários e faz a gestão do trabalho de seus funcionários, ou então terceiriza esses colaboradores.

Já o prestador de serviços autônomo é o profissional que trabalha por conta própria sem possuir um vínculo empregatício com seus contratantes. 

Esse trabalhador não tem horário determinado para o exercício de sua função, não recebe salário e sua remuneração está prevista em contrato, em relação a prestação de seu serviço.

5 dicas para melhorar a sua gestão da prestação de serviços

Confira 5 dicas para ter sucesso com o seu negócio de prestação de serviços.

1. Estude seus custos

A oferta de serviços necessita da análise dos custos pelo empreendedor, objetivando formar valores justos e equilibrar as finanças.

Além dos custos dos serviços, é fundamental calcular o que é gasto com custos variáveis e fixos.

2. Atente-se à precificação

Como dito, a precificação é uma das maiores dificuldades do setor de negócios.

Por isso, além dos custos fixos e variáveis do empreendimento, outros pontos devem ser levados em conta na hora de firmar um valor para os bens intangíveis, como a margem de lucro esperada e percepção de valor do cliente.

Essa última tem a ver com a visão diferenciada que o cliente precisa ter do seu serviço, de maneira que ele entenda o preço estipulado por você em comparação ao trabalho prestado.

3. Reajuste os contratos periodicamente

Um bom controle de contratos permite acessar os dados do que já foi lucrado, bem como a estimativa de novas receitas e o cálculo da capacidade do negócio de fechar com novos contratantes.

4. Pense no sucesso do consumidor

O maior diferencial do serviço é que ele não busca apenas a qualidade, mas também a solução de uma necessidade do cliente.

Logo, é necessário conhecer e suprir as demandas do público-alvo e manter o foco na percepção do consumidor de que o problema foi resolvido.

5. Adote tecnologias

Empreender requer o aprimoramento constante do empresário. 

Assim, quem antes não entendia quais os tipos de notas fiscais existentes, hoje precisa estar inteirado de um pouco de tudo no mundo da dos negócios e da tecnologia.

Por falar nela, não há como esquecer da importância dos recursos tecnológicos na gestão de empresas prestadoras de serviços.

Isso implica na necessidade de ferramentas úteis para centralizar os dados e facilitar o controle do estabelecimento. Aqui, o software de gestão integrado, o famoso ERP, faz toda a diferença.

Com esse sistema, a sua dúvida sobre como emitir nota fiscal e quais os produtos estão em ascensão, por exemplo, são fáceis de serem conhecidos. 

Basta acionar um comando para ter relatórios precisos e que ajudarão na tomada de decisão.

O prestador de serviços autônomo tem direitos trabalhistas?

A prestação de serviço não qualifica-se como um vínculo empregatício entre contratado e contratante, o que quer dizer que um prestador de serviços não tem nenhum direito trabalhista em relação à empresa que contratou seu trabalho.

Portanto, somente funcionários contratados no regime CLT possuem direitos trabalhistas assegurados pela contratante, como FGTS, férias, vale-transporte, etc.

Contudo, se a mesma empresa solicitar os serviços de um MEI prestador de serviços, esse Microempreendedor tem alguns benefícios assegurados pela Previdência Social, como Auxílio-maternidade e Auxílio-doença. Lembrando que esses direitos não são de responsabilidade da contratante, então, é dever do MEI cumprir seus deveres fiscais.

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Esse foi o conteúdo sobre a prestação de serviços, um passo a passo para você que deseja ingressar ou setor ou já faz parte dele e almeja garantir o sucesso do empreendimento.

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